Era uma rua comum, com casas comuns. Um único terreno chamava atenção pelo tamanho e sua casa de arquitetura antiga, ao fundo, como se pertencesse a outro tempo.
O portão destrancado era um convite para adentrar naquela propriedade. Alma estava empolgada com a herança que recebera de sua tia falecida. Caminhar pelo grande jardim de mato alto, aparentemente esquecido, despertava na moça um misto de alegria e desconforto.
Ao abrir a pesada porta de madeira, o cheiro de mofo soprou como um vento contido. Móveis cobertos por uma densa camada de poeira ornavam a sala escura. Entre admiração e curiosidade, Alma deparou-se com a escada de mármore ao fundo do cômodo. Olhou para cima e resolveu subir. Porém, parou no primeiro degrau, com a sensação de que estava sendo observada. “Será que há mais alguém na casa?” Pensou — incrédula por não ter sido avisada sobre a presença de outra pessoa no local.


